quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sonhei que a neve fervia

A Fal é uma amiga. Uma amiga que conheci virtualmente há anos e que se tornou presente na vida. E nos encontramos, e vamos nos encontrar sempre e tudo mais. Ela agora é do elenco fixo da BK idiomas. Não é lindo? E leiam os livros da moça. Leiam. 


Um trecho:

"Tem horas que sim quer dizer não, que o tapete antiderrapante da cozinha escorrega, que o copo estava firme na sua mão, mas desliza e espatifa. Tem horas que o não quer dizer sim, que o salto prende no buraquinho da calçada (ao que tudo indica, eu me especializei em cair em caixas eletrônicos, craquelando mais e mais meu combalido joelho direito), que a gata branca não volta para casa nunca mais. E tem horas que o não quer dizer isso mesmo: não. Essas são as horas que mais doem."

Pois é.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Os sapatinhos vermelhos

Trecho do conto do Caio Fernando Abreu. Li no meu livro: "Caio 3D: o essencial da década de 1980":



"Afinal a afeição que nutro por você é um fato.

Teria mesmo chegado ao ponto de dizer nutro? Teria, teria sim, teria dito nutro & relacionamento & rompimento & afeto, teria dito também estima & consideração & mais alto apreço e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer para colorir a indiferença quando o coração ficou inteiramente gelado. Uma estalactite - estalactite ou estalagmite? merda, umas caíam de cima, outras subiam de baixo, mas que importa: aquela lança fininha de gelo afiado - cravada com extrema cordialidade no fundo do peito dela."

Essa descrição... essa descrição....

segunda-feira, 9 de julho de 2012

William Carlos Williams




Comecei a ler este poeta há pouco tempo... e tanta coisa legal venho descobrindo. Olhem:

Trecho I de "Calypsos"

"Well God is
love
so love me


God 
is love so
love me God


is
love so love
me well"

sábado, 7 de julho de 2012

Leminski


Já falei dele umas 343439089 vezes aqui no blog, no facebook e na vida. Talvez seja o poeta que mais gosto em língua portuguesa. Acho que é. Li tudo, amo tudo. E sempre descubro algo incrível e que me surpreende. Mesmo depois de ter lido a mesma coisa tantas vezes.


"leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo, tudo, tudo,
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura."

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fernando Pessoa/Álvaro de Campos


Último trecho de "Apostila":


"Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisas,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O regato casual das chuvas que vão acabando,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,

O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da terra,
E estremece, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino."

Que coisa linda.

Ficções do interlúdio/4 - Poesias de Álvaro de Campos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Otto Lara Rezende


Comprei as crônicas do Otto Lara Rezende - Bom dia para nascer - no começo do ano e ainda não li tudo. Muita leitura desde então até agora. Olha... se eu contasse tudo que leio eu ia ser inteditada. Sério. Mas... que coisa linda é você ver como este povo escrevia. Que coisa linda. 

Início de "As bodas e o bode" de 12 de março de 1992. 

"Como se diz hoje em dia, são dois casais emblemáticos. Ou eram. Todo cuidado é pouco com o tempo do verbo, quando se trata de casal. Agora é, daqui a pouco já era. O que não impede que na separação floresça uma aliança de boa amizade. Ex-marido e ex-mulher vivem então em perfeita harmonia. Não apenas entre artistas, pessoas excêntricas. Ou gente famosa, colunáveis que são notícia e nunca saberemos por quê. Nem nós nem eles.

Casal era antes sinal de harmonia, pelo menos no dicionário. Tempestuosa era a separação, sobretudo se o matrimônio se confundia com o patrimônio. Havia também, e ainda há, o casal unido por um recíproco rancor. É um sentimento humano entre humanos. E muito forte. A proximidade cria essa espécie de ferrugem das almas. Ou dos corações. Amor e ódio podem ser irmãos siameses e vivem sob o mesmo teto. Hoje, o emblema do mundo é a instabilidade."

Escreveu com períodos curtos? Me apaixono imediatamente.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Voltei

Whitman está aqui ao meu lado o tempo todo e foi a inspiração inicial para o nome deste blog. Acho que com ele, tenho que voltar. Volto também pela Fal que no sábado ministrou o curso mais lindo na minha empresa. Ela me fez ter vontade de voltar para cá também, sem dúvida.

Tanta coisa pra mostrar porque tantos livros aconteceram de dezembro até aqui. Vamos aos poucos, mas sempre.

E Whitman disse o seguinte:

"Escuta, não dou lições nem esmolas,
Quando me dou, é por inteiro.

E você, impotente, de pernas bambas, tire o lenço da boca pra que eu sopre em você um pouco de brio,
Abra a mão e levante a aba dos bolsos,
Você não tem como me recusar... eu intimo... tenho reservas de sobra pra gastar,
E dou todas pra você."

Ele era gentileza e liberdade. Pra mim, coisas essenciais.

Fiquem aqui comigo.