"Me escreva, seu sacripanta. Você já viveu experiência igual e eu lhe escrevi muito. Me conte tudo. Fale com o Hélio para escrever, fale com o Paulo, com o Castello, com todo mundo. Não mando já uma carta ao Paulo, porque não tomei nota do endereço dele. Nem do seu, foi o Fernando que me mandou, mas do Paulo não mandou. Ouvi dizer (pelo mesmo Fernando) que saiu um artigo contra meu livro, por que não me mandam? E meu conto - saiu no Estado? Veja se me diz uma palavra, se não saiu vou escrever ao Décio. Valeria a pena mandar correspondência para algum jornal aí? Não seja ingrato. Escreva generosamente. Vi aqui, por vários dias, o Jorge C. Brito e o Dadá, que moram em Amsterdam. De vez em quando, fala-se de você. HVS deixou aqui um rastro de simpatia, Laís especialmente e o pessoal todo em geral gostaram muito dela. Em que ficou o seu caso no judiciário? Que pena! Ah, Fernando, a vida não é apenas um sorriso de cocktail! Abraços para todos".
Tudo de bom que já foi dito sobre Walt Whitman e sua obra "Folhas da Relva" eu concordo. Por isso o nome deste humilde bloguinho que fala sobre literatura é uma homenagem ao grande poeta que, como disse Borges: "toma e não diz a ninguém a infinita decisão de ser todos os homens e escrever um livro que seja todos".
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sexta-feira, 26 de junho de 2015
O Rio é tão longe
Trecho da carta de Otto Lara Resende para Fernando Sabino, escrita em Bruxelas, em 01 de junho de 1957.
domingo, 4 de janeiro de 2015
Ahhhh as cartas....
De Otto Lara Resende para Fernando Sabino.
Carta escrita em Belo Horizonte, em 19 de janeiro de 1944.
Carta escrita em Belo Horizonte, em 19 de janeiro de 1944.
"É o diabo haver sempre gente disposta ao cinismo de ter vinte anos. E é impiedade carregarem a gente assim contra a vontade para não sei onde, para a nostalgia dos 43 anos. Mas eu vou fazer 23, pílulas! E a vida não se limita ainda pela morte porque há caminhos que talvez seja preciso recusar. De qualquer maneira, à nossa revelia, tudo vai se imobilizando no granito dos compromissos e os amigos imperceptivelmente começam a usar chapéu-coco e já não admitem que lhes peguem pelo braço sem finalidade, apenas para 'puxar-angústia' ou para sobrenadar no balanço gostoso da conversa mole. Imperceptivelmente algumas coisas vão sendo surrupiadas, o vocabulário diminui e nem todas as palavras se dizem. Porque já não ficam bem. Talvez 23 anos seja uma idade. Mas meu coração é um passeio público."
sábado, 27 de setembro de 2014
Cartas
Elaine, Fal e eu trocamos ideias sobre o porquê gostamos desses livros. Cartas entre autores queridos, jornalistas, artistas - que delícia que são.
Tenho os meus favoritos: do Leminski ao amigo Régis Bonvicino, do Hemingway para a família, do Capote para tanta gente e mais outros lindos.
Aqui, do Otto Lara Resende para Fernando Sabino, trecho final de uma carta de 20 de maio de 1958 (Otto em Bruxelas, o amigo aqui):
"Como vão os amigos? Estou devendo carta a muita gente, mas ando numa vida doida, dormindo pouco, me agitando como nunca, para baixo e para cima, cheio de probleminhas e gente dependurada em todos os galhos de minha alma. Literatura, esqueci. Parei tudo, estou distraído de mim e de Deus. Às vezes, penso com angústia em tudo isso, mas não vou puxá-la (a angústia) agora. Deixo para quando você vier, pois você vem, não vem?
Como foi o livro do Paulo? O canalha nem ao menos me mandou um exemplar. Recebeu uma carta minha, a milésima, pelo aniversário dele, não deu a menor bola. Procurei visitar-lhe a sogra em Londres, escrevi contando minuciosamente - nada! Idem quanto ao Millôr. A estes dois, não escrevo mais.
E o Castello? Respondi-lhe petulantemente, mas ele não deu mais sinal de vida. Acho que não deve ter gostado, ou então me gozou muito aí, com você. Mas não faz mal. Eu agora não ligo mais e nada e sou um homem destemido, isto é, nada temo, nada, nada! Libertação do medo!
Procurou o Mozart Valente? Nem isso você me diz. Bom, vou parar, senão me queixarei até o fim e são tantas as queixas! Depois dizem que tenho muitos e bons amigos. Uma ova!
Adeus, doutor. Continue me intrigando, mancomunado com o Pedro Gomes. Mas, por favor, não me atribua frases pejorativas para com São João Del Rei. Qualquer pessoa que me conhece sabe que eu sou incapaz de depreciar a minha nobre e leal São João del Rei, que não troco nem por todas as capitais do mundo. Lá ficou um menino que não existe em nenhuma metrópole do mundo. E esse menino sou eu. Respeite esse menino, respeite a cidade desse menino. Não mexa com o S. João.
Abraço sempre amigo do velho e caluniado,
Otto."
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