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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Mais um Leminski

Amo abrir o(s) livro(s) e descobrir um poema que não lembrava. E colocar o bonito aqui.

Assim:

DIVERSONAGENS SUSPERSAS

Meu verso, temo, vem do berço.
Não versejo porque eu quero,
versejo quando converso
e converso por conversar.
Pra que sirvo senão pra isto,
pra ser versa e pra ser vice,
pra ser a super-superfície
onde o verbo vem ser mais?

Não sirvo pra observar.
Verso, persevero e conservo
um susto de quem se perde
no exato lugar onde está.

Onde estará meu verso?
Em algum lugar de um lugar,
onde o avesso do inverso
começa a ver e ficar.
Por mais prosas que eu perverta,
não permita Deus que eu perca
meu jeito de versejar.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Sempre ele

vezes sem conta tenho vontade
de que nada mude
meiavoltavolver
mudar é tudo que pude




terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sintonia para pressa e presságio

Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo de quem cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.



Obs: ainda bem que sempre acho um Leminski novo pra por aqui.

sábado, 22 de agosto de 2015

Enchantagem



de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece verdade

o pau na vida
o vinagre
o vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda eternidade





quarta-feira, 15 de julho de 2015

Por um lindésimo de segundo

tudo em mim
anda a mil
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas.


sábado, 25 de abril de 2015

Sempre acho um Leminski inédito



Meus livros estão anotados. Tudo que está aqui, todos estes anos, está anotado na primeira página dos seus respectivos livros. E às vezes encontro coisas que ainda não coloquei.

DONNA MI PRIEGA 88

se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios

no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?

a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cinco mil sentidos
está livre de mal-entendidos?




segunda-feira, 16 de março de 2015

O meu poeta

As coisas

não começam

com um conto

nem acabam
com um .


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Rumo ao Sumo

Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.


Preciso falar mais alguma coisa?

Este é meu livrinho aberto.

sábado, 11 de outubro de 2014

Sempre ele

Fal estava me dizendo de um poema do Leminski que eu não lembrava. É esse aqui. Eu não lembro mais em qual livro está. Alguém? Só sei que ele sempre tem razão: de vez em quando a gente precisa morrer mesmo. E voltar melhor. 

"Já me matei faz muito tempo
Me matei quando o tempo era escasso
E o que havia entre o tempo e o espaço
Era o de sempre
Nunca mesmo o sempre passo

Morrer faz bem à vista e ao baço
Melhora o ritmo do pulso
E clareia a alma

Morrer de vez em quando
É a única coisa que me acalma."


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ler pelo não

"Ler pelo não, quem dera!
Em cada ausência, sentir o cheiro forte
do corpo que se foi,
a coisa que se espera.
Ler pelo não, além da letra,
ver, em cada rima vera, a prima pedra,
onde a forma perdida
procura seus etcéteras.
Desler, tresler, contraler,
enlear-se nos ritmos da matéria,
no fora, ver o dentro e, no dentro, o fora,
navegar em direção às Índias
e descobrir a América."




Ps: fui fazer um teste no what's e mandei este poema lido por mim pra Fal. Ela criou todo um negócio e tá lá minha voz fanha de sinusite no blog dela. Aqui. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Viva Leminski!

É o meu poeta de sempre, aquele a quem eu recorro quase todos os dias: Leminski. 70 anos ele faria.



Este trecho é de uma carta escrita ao amigo Régis Bonvicino, em outubro de 1977, deste livro acima (que está esgotado, mas ainda há alguns na Estante Virtual, de nada).

"esculhambe-se vire-se altere dê alteração
considere a possibilidade de ir pro Japão
rejeite o projeto de felicidade
q a sociedade te propõe

eu sei
você é paulista
mas ser paulista não é tudo

rompa

fique mais irregular

seja mais inconveniente

é a linguagem que está a serviço da vida
não é a vida que está a serviço da linguagem

a linguagem vem
sai na urina
acontece

fazer poemas não é a coisa mais importante
mas para quem faz é
e tem que ser assim

o signo é nosso destino
nossa desgraça e nossa glória

uma aranha sempre sabe
que depois desta teia
virá outra teia e outra teia e outra

uma aranha não duvida

v. vê
não há pressa: mallarmé deixou meiadúzia de coisas
augusto idem
não se importe com a frequência/ a fecundidade/ a abundância
uma década pode esperar um bom poema".











segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Leminski, o sábio

"PRA QUE CARA FEIA?
NA VIDA
NINGUÉM PAGA MEIA."

Boa semana, amigos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Leminski


Em "Distraídos venceremos" li o seguinte:

"podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano."

Eu e meu amor pela simplicidade e a mensagem direta. Boa semana, amigos!

sábado, 7 de julho de 2012

Leminski


Já falei dele umas 343439089 vezes aqui no blog, no facebook e na vida. Talvez seja o poeta que mais gosto em língua portuguesa. Acho que é. Li tudo, amo tudo. E sempre descubro algo incrível e que me surpreende. Mesmo depois de ter lido a mesma coisa tantas vezes.


"leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo, tudo, tudo,
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura."

domingo, 11 de dezembro de 2011

Novo livro!





Olha o que eu achei em Buenos Aires. Não é demais?

E algumas poesias do Leminski em espanhol ficam tãããão legais... logo mais coloco.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ensaios e anseios crípticos

Trecho inicial do ensaio "O nome do poema":

"Um dia, no apartamento de Caetano Veloso, o bardo baiano máximo apresentava para vários amigos e para mim uma música que tinha acabado de fazer, e que começava, 'um índio descerá de uma estrela brilhante, colorida'...

A música, uma maravilha.

Caetano só disse que precisava de um nome para ela.

Então, eu falei: acho que o melhor nome para uma música são as suas primeiras palavras, para facilitar quem quiser cantar. Acrescentei, até hoje não me conformo que o Hino Nacional não se chame 'Ouviram'.

Caetano gostou da idéia, e a música se chamou, claro 'Um índio', e eu fiquei feliz de poder dar alguma coisa a alguém que sempre me deu tanto, em matéria de poesia, música e sabedoria de viver."

Não é o máximo?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Novo Leminski


Estava eu andando pela Livraria Cultura toda lépida e faceira quando encontro este livro. Ensaios do Leminski, agora pela Editora Unicamp. Felicidade.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Paulo Leminski



"Eu, hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara.
Só existe um segredo.
Tudo está na cara."

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Random



Peguei o "Caprichos e relaxos" que está na prateleira acima da minha pessoa, abri uma página e li o seguinte:

"dia
dai-me
a sabedoria de caetano
nunca ler jornais
a loucura de glauber
ter sempre uma cabeça cortada a mais
a fúria de décio
nunca fazer versinhos normais."

Ainda mais um dia para agosto acabar, né?

domingo, 21 de agosto de 2011

No início de uma carta escrita em 14 de março de 1980, Leminski escreve assim:

"caríssimos!
(vocês sabem que os títulos nobiliárquicos em superlativo, tipo reverendíssimo, excelência altíssima, meritíssimo, alteza sereníssima, são de origem bizantina, passando ao ocidente através de Veneza, por sua vez, a sereníssima república. nada impede que a gente meta coração em velhas fórmulas)."

Adoro a última frase.

"Uma carta uma brasa através."
Ed. Iluminuras.