Amo abrir o(s) livro(s) e descobrir um poema que não lembrava. E colocar o bonito aqui.
Assim:
DIVERSONAGENS SUSPERSAS
Meu verso, temo, vem do berço.
Não versejo porque eu quero,
versejo quando converso
e converso por conversar.
Pra que sirvo senão pra isto,
pra ser versa e pra ser vice,
pra ser a super-superfície
onde o verbo vem ser mais?
Não sirvo pra observar.
Verso, persevero e conservo
um susto de quem se perde
no exato lugar onde está.
Onde estará meu verso?
Em algum lugar de um lugar,
onde o avesso do inverso
começa a ver e ficar.
Por mais prosas que eu perverta,
não permita Deus que eu perca
meu jeito de versejar.
Tudo de bom que já foi dito sobre Walt Whitman e sua obra "Folhas da Relva" eu concordo. Por isso o nome deste humilde bloguinho que fala sobre literatura é uma homenagem ao grande poeta que, como disse Borges: "toma e não diz a ninguém a infinita decisão de ser todos os homens e escrever um livro que seja todos".
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segunda-feira, 9 de maio de 2016
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Sintonia para pressa e presságio
Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo de quem cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.
Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.
Obs: ainda bem que sempre acho um Leminski novo pra por aqui.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo de quem cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.
Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.
Obs: ainda bem que sempre acho um Leminski novo pra por aqui.
sábado, 22 de agosto de 2015
Enchantagem
de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo
esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima
de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito
pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito
que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar
tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece verdade
o pau na vida
o vinagre
o vinho suave
pense e te pareça
senão eu te invento por toda eternidade
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Por um lindésimo de segundo
tudo em mim
anda a mil
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu
tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas.
anda a mil
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu
tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas.
sábado, 25 de abril de 2015
Sempre acho um Leminski inédito
Meus livros estão anotados. Tudo que está aqui, todos estes anos, está anotado na primeira página dos seus respectivos livros. E às vezes encontro coisas que ainda não coloquei.
DONNA MI PRIEGA 88
se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cinco mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
segunda-feira, 16 de março de 2015
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Rumo ao Sumo
Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.
Preciso falar mais alguma coisa?
Este é meu livrinho aberto.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
Outros olham para baixo,
procurando algum vestígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.
Preciso falar mais alguma coisa?
Este é meu livrinho aberto.
sábado, 11 de outubro de 2014
Sempre ele
Fal estava me dizendo de um poema do Leminski que eu não lembrava. É esse aqui. Eu não lembro mais em qual livro está. Alguém? Só sei que ele sempre tem razão: de vez em quando a gente precisa morrer mesmo. E voltar melhor.
"Já me matei faz muito tempo
Me matei quando o tempo era escasso
E o que havia entre o tempo e o espaço
Era o de sempre
Nunca mesmo o sempre passo
Morrer faz bem à vista e ao baço
Melhora o ritmo do pulso
E clareia a alma
Morrer de vez em quando
É a única coisa que me acalma."
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Ler pelo não
"Ler pelo não, quem dera!
Em cada ausência, sentir o cheiro forte
do corpo que se foi,
a coisa que se espera.
Ler pelo não, além da letra,
ver, em cada rima vera, a prima pedra,
onde a forma perdida
procura seus etcéteras.
Desler, tresler, contraler,
enlear-se nos ritmos da matéria,
no fora, ver o dentro e, no dentro, o fora,
navegar em direção às Índias
e descobrir a América."
Ps: fui fazer um teste no what's e mandei este poema lido por mim pra Fal. Ela criou todo um negócio e tá lá minha voz fanha de sinusite no blog dela. Aqui.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Viva Leminski!
É o meu poeta de sempre, aquele a quem eu recorro quase todos os dias: Leminski. 70 anos ele faria.
"esculhambe-se vire-se altere dê alteração
considere a possibilidade de ir pro Japão
rejeite o projeto de felicidade
q a sociedade te propõe
eu sei
você é paulista
mas ser paulista não é tudo
rompa
fique mais irregular
seja mais inconveniente
é a linguagem que está a serviço da vida
não é a vida que está a serviço da linguagem
a linguagem vem
sai na urina
acontece
fazer poemas não é a coisa mais importante
mas para quem faz é
e tem que ser assim
o signo é nosso destino
nossa desgraça e nossa glória
uma aranha sempre sabe
que depois desta teia
virá outra teia e outra teia e outra
uma aranha não duvida
v. vê
não há pressa: mallarmé deixou meiadúzia de coisas
augusto idem
não se importe com a frequência/ a fecundidade/ a abundância
uma década pode esperar um bom poema".
Este trecho é de uma carta escrita ao amigo Régis Bonvicino, em outubro de 1977, deste livro acima (que está esgotado, mas ainda há alguns na Estante Virtual, de nada).
considere a possibilidade de ir pro Japão
rejeite o projeto de felicidade
q a sociedade te propõe
eu sei
você é paulista
mas ser paulista não é tudo
rompa
fique mais irregular
seja mais inconveniente
é a linguagem que está a serviço da vida
não é a vida que está a serviço da linguagem
a linguagem vem
sai na urina
acontece
fazer poemas não é a coisa mais importante
mas para quem faz é
e tem que ser assim
o signo é nosso destino
nossa desgraça e nossa glória
uma aranha sempre sabe
que depois desta teia
virá outra teia e outra teia e outra
uma aranha não duvida
v. vê
não há pressa: mallarmé deixou meiadúzia de coisas
augusto idem
não se importe com a frequência/ a fecundidade/ a abundância
uma década pode esperar um bom poema".
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Leminski
Em "Distraídos venceremos" li o seguinte:
"podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano
eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano."
Eu e meu amor pela simplicidade e a mensagem direta. Boa semana, amigos!
sábado, 7 de julho de 2012
Leminski
Já falei dele umas 343439089 vezes aqui no blog, no facebook e na vida. Talvez seja o poeta que mais gosto em língua portuguesa. Acho que é. Li tudo, amo tudo. E sempre descubro algo incrível e que me surpreende. Mesmo depois de ter lido a mesma coisa tantas vezes.
"leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo, tudo, tudo,
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura."
domingo, 11 de dezembro de 2011
Novo livro!
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Ensaios e anseios crípticos
Trecho inicial do ensaio "O nome do poema":
Não é o máximo?
"Um dia, no apartamento de Caetano Veloso, o bardo baiano máximo apresentava para vários amigos e para mim uma música que tinha acabado de fazer, e que começava, 'um índio descerá de uma estrela brilhante, colorida'...
A música, uma maravilha.
Caetano só disse que precisava de um nome para ela.
Então, eu falei: acho que o melhor nome para uma música são as suas primeiras palavras, para facilitar quem quiser cantar. Acrescentei, até hoje não me conformo que o Hino Nacional não se chame 'Ouviram'.
Caetano gostou da idéia, e a música se chamou, claro 'Um índio', e eu fiquei feliz de poder dar alguma coisa a alguém que sempre me deu tanto, em matéria de poesia, música e sabedoria de viver."
A música, uma maravilha.
Caetano só disse que precisava de um nome para ela.
Então, eu falei: acho que o melhor nome para uma música são as suas primeiras palavras, para facilitar quem quiser cantar. Acrescentei, até hoje não me conformo que o Hino Nacional não se chame 'Ouviram'.
Caetano gostou da idéia, e a música se chamou, claro 'Um índio', e eu fiquei feliz de poder dar alguma coisa a alguém que sempre me deu tanto, em matéria de poesia, música e sabedoria de viver."
Não é o máximo?
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Novo Leminski
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Random
Peguei o "Caprichos e relaxos" que está na prateleira acima da minha pessoa, abri uma página e li o seguinte:
"dia
dai-me
a sabedoria de caetano
nunca ler jornais
a loucura de glauber
ter sempre uma cabeça cortada a mais
a fúria de décio
nunca fazer versinhos normais."
Ainda mais um dia para agosto acabar, né?
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autores,
autores e ondas de esperança,
Leminski
domingo, 21 de agosto de 2011
No início de uma carta escrita em 14 de março de 1980, Leminski escreve assim:
"caríssimos!
(vocês sabem que os títulos nobiliárquicos em superlativo, tipo reverendíssimo, excelência altíssima, meritíssimo, alteza sereníssima, são de origem bizantina, passando ao ocidente através de Veneza, por sua vez, a sereníssima república. nada impede que a gente meta coração em velhas fórmulas)."
Adoro a última frase.
"Uma carta uma brasa através." Ed. Iluminuras.
(vocês sabem que os títulos nobiliárquicos em superlativo, tipo reverendíssimo, excelência altíssima, meritíssimo, alteza sereníssima, são de origem bizantina, passando ao ocidente através de Veneza, por sua vez, a sereníssima república. nada impede que a gente meta coração em velhas fórmulas)."
Adoro a última frase.
"Uma carta uma brasa através." Ed. Iluminuras.
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