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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Contra um mundo melhor

"Às vezes me pergunto de onde vem minha simpatia pela atitude do rei Davi em seus salmos, já que não sou religioso. O crítico Otto Maria Carpeaux me responde. Nossa imensa ignorância perante a imensidão da vida e do universo, perante a impenetrabilidade das razões de nosso nascimento e de nossa morte, perante nosso inexorável isolamento nesta vastidão dos espaços infinitos de escuridão que nos assusta, como diria Pascal, nos impõe a humildade como forma última de estar no mundo. Sem ela, não há conhecimento possível."



terça-feira, 2 de setembro de 2014

A era do ressentimento




Leiam este livro pra gente parar com o mimimi. Pra sempre. Não tem coisa mais chata, sério. Como diz o Pondé, daqui uns anos nossos tempos não serão conhecidos como o do ipad, iphone ou sei lá mais o quê. Mas sim, como "a era do ressentimento". Vejam só:



"É comum nos referirmos às pessoas como coitadas porque têm de enfrentar a vida. Algo que, antes, era considerado óbvio - a vida não tem garantias -, hoje se tornou um erro cósmico. Esse equívoco se evidencia de forma mais gritante no olhar que muita gente tem sobre as contingências da vida social e econômica. 

Criticamos o mundo como se ele fosse responsável por sobrevivermos ou não. Em casos como esses é que o ressentimento se torna mais evidente: a sociedade e as pessoas devem ser responsabilizadas por escolhas individuais. Se me endivido, a culpa é do banco. Se não tenho emprego, a culpa é da sociedade que me obrigada a trabalhar. A questão é: quem foi o desgraçado que inventou essa história de que devemos amadurecer e enfrentar o fato de que não há garantias para nada? Por que esses ressentidos acham que a sociedade deve nos dar tudo e com isso fazer de nós uns retardados mentais em termos de moral? 

A necessidade de que a vida seja garantida atinge níveis metafísicos desde sempre: este é o núcleo de nosso desejo metafísico religioso, a saber, que algo ou alguém garanta nossa sobrevida, mesmo depois da morte. Morto Deus (pelo menos tendo Ele concorrentes mais próximos, como a vida secular, científica e racionalizada), essa forma de ressentimento se escondeu nas camadas mais medíocres da existência: assumiu a forma de uma petição contínua para que eu seja uma eterna criança a ser cuidada. 

Se Freud dizia que amadurecer é aceitar uma orfandade, o amadurecimento passou a ser considerado um modo de opressão. Coitados de todos nós, que somos obrigados a suportar essa ladainha daqueles que não conseguem compreender o que, desde a tragédia grega, se sabe: a vida nunca teve garantias. Também não acho isso agradável, mas, talvez como pensava o escocês Adam Smith, a autonomia seja a escolha moral possível diante do simples aniquilamento de nossa heroica humanidade abandonada na face da Terra."

É isso.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Contra um mundo melhor



"O fato é que a burrice tem vantagens. Sendo uma forma de cegueira, ela nos protege da agonia que é sermos animais cujo habitat natural é viver sempre na beira do abismo."

Pois é.

Página 107.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pondé

Acabei o livro (contra um mundo melhor) e gostei. Até a metade, amei. Depois, adorei. Mais pro final, gostei bem.

E na página 69:

"Sim, eu acredito na infelicidade como matéria de vida. Não que a procuremos, nem precisa, ela nos acha, mas creio na infelicidade como medula, espinha dorsal de nossa dignidade. A infelicidade é a lei da gravidade que reúne os elementos que compõem nossa personalidade. O fracasso é que torna o homem confiável. Imagine se Hamlet só quisesse ser feliz?"

Luiz Felipe Pondé. Contra um mundo melhor: ensaios do afeto.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Contra um mundo melhor

Esse é o título do livro novo do Luiz Felipe Pondé. Acabei de comprar. Adoro ler e ouvir o que ele diz... Já falei dele em setembro do ano passado... voltem lá pra ver.

"Porque o que nos humaniza é o fracasso, homens e mulheres muito felizes não são homens e mulheres. Tenho medo de pessoas muito felizes. A consciência trágica, seja ela cósmica, seja miserável, miúda e cotidiana, determina o horizonte onde se move o humano".