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terça-feira, 9 de setembro de 2014

O pintassilgo

Todo mundo falando deste livro desde o lançamento, no ano passado. Ganhou o Pulitzer, ganhou os paranauê todos. Eu esperava este livro desde sempre, como todo mundo que espera um livro da Donna Tartt (saiba mais aqui). Li em novembro do ano passado. Que coisa fantástica. Leiam. Não se assustem com o tamanho (o meu, em inglês, tem 771 páginas).  Digo isso pois ele acaba de ser traduzido e tia Andréa quer que todo mundo leia. De nada, amiguinhos. 




Aqui, um pedaço da página 353. É muito, muito mais do que este trechinho sentimental, mas tá valendo. E o inglês é lindo e dá pra todo mundo entender, sem mimimi fazendo o favor:



"But I didn't. And, in the truth, it was maybe better that I didn't - I say that now, though it was something I regretted bitterly for a while. More than anything I was relieved that in my unfamiliar babbling-and-wanting-to-talk state I'd stopped myself from blurting the thing on the edge of my tongue, the thing I'd never said, even though it was something we both knew well enough without me saying it out loud to him in the street - which was, of course, I love you."

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Mark Twain


Trecho do texto sobre "fumo, alimentação e saúde aos 70 anos" (discurso dele de 1905).

"A partir dos 40 anos, nossas manias ficam permanentes. Elas vão se enraizando, se petrificando e a coisa então começa. A partir dos 40, mantive a hora de ir para a cama e me levantar - e esse é um detalhe importante. Transformei em lei só me deitar quando não houvesse mais ninguém com quem conversar e tornei regra só me levantar da cama quando fosse preciso. Isso criou uma inabalável regularidade da irregularidade. Foi o que me salvou, mas teria condenado outra pessoa."

Leiam este livro fantástico. Leiam Huckleberry. Leiam tudo deste homem.

domingo, 25 de novembro de 2012

Composição


"Quando perdi quase tudo,
descobri que a dor
não era maior que o sonho.
Quando esqueci o caminho,
vi que o horizonte
ficava do lado errado.
Quando só o meu rosto
sobrava em cada espelho
(e nada do lado de cá),
juntei desalento e desejo
e me reinventei
com carinho.

(Agora pareço comigo
antes de o amor ser
cancelado.)"

Que coisa bonita, né? Boa semana, amigos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Crônica e Nelson



Trecho inicial de "A viagem fantástica de Otto", publicada no "Correio da manhã" em 18 de maio de 1967.

"Já disse e aqui repito: o episódio da véspera é tão passado, e passado tão defunto como a vacina obrigatória. Faço esta ressalva para incluir, nestas Confissões, o meu almoço de ontem com Otto Lara Rezende. Tudo aconteceu, ali, num restaurante amigo da rua Santa Clara. Éramos cinco: - Otto, eu, meu filho Joffre, o Hélio Pellegrino e o Vinícius de Moraes.

Não era um Otto qualquer que estava diante de nós, mas um Otto recém-chegado. E aquele que chega é sempre um ser comovido e transcendente. Vinha ele da fabulosa Escandinávia: andara no Pólo, vejam vocês, no Pólo; passara três ou quatro dias em Paris. (Não falemos de Paris, que é um lugar-comum irrespirável.)

Como o Otto vivera uma experiência polar, nós o recebemos como se fora um Byrd, um Amundsen. Se ele saltasse de um trenó, puxado por uma dúzia de caninos brancos, não me admiraria nada. "

Que mesa de discussão... e que texto.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Felizes para sempre


Trecho de crônica do Caio, publicada em "O Estado de São Paulo" no dia 30 de setembro de 1987:

"Os escritores são mestres em criar seus próprios infernos, só para descobrir formas de se ver livres deles. Em todas as esquinas desse labirinto infernal, Yann permanece ao lado de Marguerite, mão a mão. Continuam juntos?, me pergunto na noite tardia de sábado, ouvindo Thelonious Monk. De alguma forma, certamente sim, me respondo. Porque aprendi que esses amores capazes de superar o primeiro impulso que determina o próprio amor - a atração física - ah, esses amores não terminam nunca. (E nós, vivendo essa coisa tão assustada e média...)"

Pois é.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Recusa


"Não entendo, não engulo este latim:
Perinde ac cadaver.
'Você tem que obedecer como um cadáver'.

Cadáver obedece?
Tanto vale morrer como viver?
Para isso nos chamam, nos modelam?

Bem faz Padre Filippo:
cansado de obedecer, vai dar o fora
para viver no mundo largo
a fascinante experiência de só receber ordens
do seu tumultuoso coração."


Sábio Padre Filippo.



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Leminski, o sábio

"PRA QUE CARA FEIA?
NA VIDA
NINGUÉM PAGA MEIA."

Boa semana, amigos.

sábado, 10 de novembro de 2012

Ponto seco de agora


Parágrafo inicial do conto "Os sapatinhos vermelhos":

"Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina - ela repetiu olhando-se bem nos olhos, em frente ao espelho. Ou quando começa: certo susto na boca do estômago. Como o carrinho da montanha-russa, naquele momento lá no alto, justo antes de despencar em direção. Em direção a quê? Depois de subidas e descidas, em direção àquele insuportável ponto seco de agora."


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sonhei


Palavras da Fal, na página 289:

"Não, eu definitivamente não quero discutir a relação, analisar as variáveis, reavaliar as estratégias, sondar o terreno, pedir uma segunda opinião, deixar a massa adrede preparada, controlar danos, ajustar expectativas, listar dados, fechar poros, conter despesas, partir para o ataque, poupar o mensageiro, abraçar minha criança interior, adotar uma tecnologia, aparar arestas, ouvir o outro lado, traçar rotas de fuga, vivenciar papéis, transar aquele lance, esperar 5 minutinhos, rever os conceitos, justificar as escolhas, passar um cafezinho, dominar os jargões, mudar os paradigmas, agir estrategicamente, agregar valor, inicializar um processo, respeitar os limites, instalar o equipamento, tentar só mais um pouquinho, ser uma boa menina."

Nem eu.

Leiam este livro, gente.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Luis Fernando Veríssimo


Todo mundo tem que gostar do Veríssimo. Textos perfeitos. Não tem como dizer outra coisa. E morro de rir. Hoje li "Diálogos impossíveis" e fiquei rindo sozinha várias vezes. Minha crônica favorita do livro é a "Tem cada um..." que foi publicada no dia 31 de julho de 2011.

Olhem só este trecho:

"Tem por exemplo, o Victor, que não perde oportunidade de ostentar sua cultura, para divertimento e, às vezes, irritação da turma.

...

Mas a melhor do Victor quem contou foi o Mendonça, médico, que também frequentava a turma. O Victor andava tossindo muito e expectorando, e procurara o Mendonça no seu consultório.
- Acho que peguei a gripe.
- Você tem muito catarro? - perguntara o médico.
- Tenho.
- De que cor é o catarro?
E então Victor pensara um pouco e respondera:
- Sabe o verde daquele afresco do Tiepolo no Palazzo Clerici, em Milão?
O Victor estava presente na mesa quando o Dr. Mendonça contou o fato e apenas sorriu diante da gargalhada geral da turma. Depois deu de ombros e disse:
- O que eu vou fazer se vocês não viajam?"

Tem coisa melhor que isso?

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Poesia


Hoje é dia nacional do livro. Absolutamente impossível falar qual meu livro favorito ou qualquer coisa do gênero. Não consigo nem fazer listinha tipo top 5. Cada mês tem um, cada ano tem um, sem falar dos que amo e ponto.

Não pensei 10 horas ou fiquei selecionando entre todos os livros que ficam aqui comigo. Quero a poesia de sempre:

"tem alguém aqui
tem que eu vi um vulto
tem que ouvi os passos
a voz o gesto
tem alguém aqui que é resto
ou insulto
alguém que é incerto
tem alguém aqui que se perdeu
sombra
assombração
lembrança
presença
sou eu"

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Wild


A Oprah fala e eu obedeço. Amo tudo dela (o programa que morro de saudade, a revista, etc.). Inclusive o Book Club e acho que todos os livros indicados têm um porquê, são bacanas e tudo mais. Clique aqui para ver mais informações de lá. 

Aí na semana passada estava na Cultura é vi "Wild - from lost to found on the Pacific Crest Trail." Eu geralmente não gosto de livros que contam essas histórias de pessoas que vão fazer caminhadas/trilhas/passar meses em um barco por causa de uma tristeza ou tragédia. Mas já que Oprah falou, eu obedeci. E estou amando. A autora fala diversas vezes o que carrega na mochila, o que se leva, o que se deixa, e quando ela foi falar de seus livros, ela disse o seguinte:

"It hurt to do it, but it had to be done. I´d loved books in my regular, pre-Pacific Crest Trail life, but on the trail, they´d taken on even greater meaning. They were the worlds I could lose myself in when the one I was actually in became too lonely or harsh or difficult to bear."


Lindo. 

A autora é Cheryl Strayed e já há entrevistas dela com a Oprah no site, mas ainda não quero dar rosto para a pessoa que estou lendo. Nem voz.

sábado, 20 de outubro de 2012

Segunda carta para além dos muros


Estou há umas 2 horas olhando para os livros e lendo, relendo poesias e trechos que marquei com as minhas páginas favoritas. Engraçado isso. Queria encontrar alguma coisa nova para colocar aqui mas não está rolando. Aí pego pela enésima vez o "pequenas epifanias" do Caio. E este é o último trecho de uma crônica (que é o título deste post) publicada no jornal O Estado de São Paulo em 04 de setembro de 1994.

"Pois repito, aquilo que eu supunha fosse o caminho do inferno está juncado de anjos. Aquilo que suja trava parecia, guarda seu fio de luz. Nesse frio estreito, esticado feito corda bamba, nos equilibramos todos. Sombrinha erguida bem alto, pé ante pé, bailarinos destemidos do fim deste milênio pairando sobre o abismo.

Lá embaixo, uma rede de asas ampara nossa queda."

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Drummond


Amo os livros do Instituto Moreira Salles que reproduzem exatamente o original. Este é o do Drummond. 

"VII - Rio de Janeiro

Fios nervos riscos faíscas.
As côres nascem e morrem
com um impudor violento.
Onde meu vermelho? Virou cinza.
Passou a bôa! Peço a palavra!
Meus amigos todos estão satisfeitos
com a vida dos outros.
Futil nas sorveterias.
Pedante nas livrarias...
Nas prais nú nú nú nú nú
Tú tú tú tú tú no meu coração.

Mas tantos assassinatos, meu Deus.
E tantos adulterios tambem.
E tantos, tantíssimos contos do vigario...
(Este povo quer me passar a perna.)

Meu coração vae mollemente dentro de um taxi."

O livro é de 1930, a grafia do poeta não foi alterada.

Tantíssimos contos do vigário.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Leminski


Em "Distraídos venceremos" li o seguinte:

"podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano."

Eu e meu amor pela simplicidade e a mensagem direta. Boa semana, amigos!

sábado, 6 de outubro de 2012

Segredos da vida jornalística


Todas as crônicas do Nelson Rodrigues são brilhantes. Todas. Difícil ter lido uma que eu tenha falado: "mais ou menos, não curti". Nesta (publicada no O Globo de 01 de fevereiro de 1974) ele conta algumas coisas da sua vida de repórter. E conta um caso de um homem que estava desconfiado que sua mulher estava tendo um caso com outro e a seguiu  até um hotel e ouviu a sua risada no terceiro andar e:

"Até então, o nosso Disraeli não sabia se odiava a mulher, se a desprezava ou se, pelo contrário, a amava mais do que nunca. Mas o som o enfureceu. Puxa o revólver e faz saltar, à bala, a fechadura. Em seguida, invade o quarto. O amante se enfiou debaixo do guarda-vestido. Não, não. Debaixo da cama. Mas a infiel, mais ágil, mais elástica, acrobática, quase alada, teve tempo de se atirar do alto do terceiro andar. Por aí se vê que ela pecava por sexo e não por amor. O sexo corre e sobrevive. E, se fosse amor, ela se deixaria varar de balas como uma santa; e ainda morreria agradecida."

Que delícia de texto. Leiam as crônicas de "O reacionário - memórias e confissões" da editora Agir.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Alice


Amo todos os poemas deste livro. Já reproduzi quase o livro inteiro por aqui. Cada coisa linda assim:

"nesta vida
não vai dar
pra definir 
paixão

tantas são
de cada um
a lida
entre as idas
e vindas 
do meu coração"


domingo, 30 de setembro de 2012

Última

Caio fala, em uma de suas últimas crônicas publicadas no jornal O Estado de São Paulo, da morte de Ana Cristina César. Depois de tantas tentativas, a escritora "finalmente tinha conseguido" se matar. Um texto lindo, aliás um livro inteiro lindo. Leiam "A vida gritando nos cantos." E uma das frases dele, que serve para tanta coisa:

"Tão arrogantes: quem tem, afinal, o poder de salvar o outro de seus próprios abismos?"

Bom domingo, amigos. Não, a frase (para mim) não é melancólica. Só acho bem real.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Résumé


Amo este poeminha da Dorothy Parker. Nada de fofurinha mas é demais. Era o poema que eu dava nas aulas de literatura americana (parece que foi em uma vida passada, mas tudo bem). 

"Razors pain you;
Rivers are damp;
Acids stain you;
And drugs cause cramp.
Guns aren´t lawful;
Nooses give;
Gas smells awful;
You might as well live."

Várias traduções pipocam na internet. É só procurar. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Home


Li este livro há alguns meses, logo que saiu. O que mais me impressionou foi o texto/poema que inicia o livro. Sabe quando você lê algo e te dá um nó na garganta? Foi isso. Literalmente. Coloquei no meu face na época e também mandei a alguns amigos. Não era para ficar só comigo, outras pessoas tinham que ter esta mesma sensação. Aí não resisti e coloco aqui:

"Whose house is this?
Whose night keeps out the light
In here?
Say, who owns this house?
It´s not mine.
I dreamed another, sweeter, brighter
With a view of lakes crossed in painted boats;
Of fields wide as arms open for me.
This house is strange.
Its shadows lie.
Say, tell me, why does its lock fit my key?"

Amo este texto. E amo o que a autora consegue fazer com o nosso vocabulário. Nada é estranho. Você usa estas palavras todas no seu dia-a-dia. E elas se transformam em algo fantástico. É isso. 

E a mensagem? Olhe para o lado porque nem sempre o que você sonhou é o que aconteceu na sua vida.