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sábado, 2 de abril de 2016

Descobertas - Yehuda Amichai

Descobrir um poeta pra mim é uma felicidade. Mas sou lenta. Descubro coisas da maneira mais atrasada possível. 

Deveria ter descoberto Yehuda Amichai há tempos, mas, né? 

Foi, talvez, o mais importante poeta de Israel. Tem poemas traduzidos em não sei quantos idiomas. E acabei de ler este livro mais lindo.



E um pouquinho da poesia dele:

Before

Before the gate has been closed,
before the last question is posed,
before I am transposed.
Before the weeds fill the gardens,
before there are no more pardons,
before the concrete hardens.
Before all th flute-holes are covered,
before things are locked in the cupboard,
before the rules are discovered.
Before the conclusion is planned,
before God closes his hand,
before we have nowhere to stand.




quinta-feira, 21 de maio de 2015

Descobertas - Mia Couto

As amigas me indicaram este homem. E eu vou descobrindo pouco a pouco. E deixo aqui um trechinho:

"A família, a escola, os outros, todos elegem em nós uma centelha promissora, um território em que poderemos brilhar. Uns nasceram para cantar, outros para dançar, outros nasceram simplesmente para serem outros. Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silêncio. E todo o silêncio é música em estado de gravidez.

Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios."



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Um pouquinho de diversão

"It is Monday morning, six weeks after my wife and I learned that she is pregnant with our first child, and I am stopped at a traffic light. The kid doesn't have a chance. It's a trick. I know this God; I know how He works. The baby will me miscarried, or die during childbirth, or my wife will die during childbirth, or they'll both die during childbirth, or neither of them will die and I'll think I'm in the clear, and then on the drive home from the hospital, we'll collide head-on with a drunk driver and they'll both die later, my wife and child, in the emergency room just down the hall from the room where only minutes ago we stood so happy and alive and full of promise.

That would be so God.

The teachers from my youth are gone, the parents old and mostly estranged. The man they told me about, though - he's still around. I can't shake him. I read Spinoza, I read Nietzche. I read National Lampoon. Nothing helps. I live with Him every day, and behold, He is still angry still vengeful still - eternally - pissed off.

- Man plans, my parents said, - and God laughs.

- When you least expect it, my teachers warned, - expect it."


sábado, 27 de dezembro de 2014

Murilo Mendes

O que eu sabia de Murilo Mendes há semanas? Nada. Comprei, então, este livro. Quanta surpresa boa ainda nessa vida, não?



A marcha da história

Eu me encontrei no marco do horizonte
Onde as nuvens falam,
Onde os sonhos têm mãos e pés
E o mar é seduzido pelas sereias.

Eu me encontrei onde o real é fábula,
Onde o sol recebe a luz da lua,
Onde a música é pão de todo dia
E a criança aconselha-se com as flores,

Onde o homem e a mulher são um,
Onde espadas e granadas
Transformaram-se em charruas,
E onde se fundem verbo e ação.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

O pintassilgo

Todo mundo falando deste livro desde o lançamento, no ano passado. Ganhou o Pulitzer, ganhou os paranauê todos. Eu esperava este livro desde sempre, como todo mundo que espera um livro da Donna Tartt (saiba mais aqui). Li em novembro do ano passado. Que coisa fantástica. Leiam. Não se assustem com o tamanho (o meu, em inglês, tem 771 páginas).  Digo isso pois ele acaba de ser traduzido e tia Andréa quer que todo mundo leia. De nada, amiguinhos. 




Aqui, um pedaço da página 353. É muito, muito mais do que este trechinho sentimental, mas tá valendo. E o inglês é lindo e dá pra todo mundo entender, sem mimimi fazendo o favor:



"But I didn't. And, in the truth, it was maybe better that I didn't - I say that now, though it was something I regretted bitterly for a while. More than anything I was relieved that in my unfamiliar babbling-and-wanting-to-talk state I'd stopped myself from blurting the thing on the edge of my tongue, the thing I'd never said, even though it was something we both knew well enough without me saying it out loud to him in the street - which was, of course, I love you."

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Gracinhas

Eu amo as histórias do Manual Prático de bons modos em livrarias. Amo. Por favor comprem e divirtam-se. Aqui eu coloco duas pra gente rir (ou chorar) um pouco.





1
Freguesa: Mocinho, por favor, você pode me mostrar onde ficam os livros sobre Shoyu?
(Livreiro, prontamente, leva a cliente até a estante de gastronomia e mostra alguns livros de culinária.)
Freguesa (inconformada): Não. não. Não são esses!
(Pensativo, livreira mostra títulos sobre molhos, comida oriental e NADA.)
Freguesa: (no alto da sua indignação e falando cada vez mais alto): SHOYU, MEU FILHO, SHOYU!
(Sem ter a quem recorrer, livreiro olha desoladamente para os lados, sem um resquício de esperança.).
Freguesa 2: OSHO! O que ela quer são livros do OSHO!

2
Freguês: Oi, eu queria o livro Sartre no Lago.
Livreiro: Desculpe, mas qual é o nome do livro?
Freguês: Sartre no Lago.
(Livreiro pega uma peça ali, outra aqui e monta o quebra-cabeça.)
Livreiro: Não seria o Kafka à Beira Mar?
Freguês: Isso! Quase igual, né?

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Herberto Helder

A descoberta de novos poetas é algo incrível. Vi um amigo no face falando de Herberto Helder e fui atrás. Que coisa linda, que coisa linda... e este livro vem com um CD - é o próprio autor recitando 5 poemas. No início: "Tudo quanto nesse livro possa parecer acidental é de facto intencional." É a vida, poeta.


Se um dia destes parar não sei se não morro logo,
disse Emília David, padeira,
não sei se fazer um poema não é fazer um pão
um pão que se tire do forno e se coma quente ainda por entre as linhas,
um dia destes vejo que não vou parar nunca,
as mãos súbito cheias:
o mundo é só fogo e pão cozido,
e o fogo é o que dá ao mundo os fundamentos da forma,
pão comprido nas terras de França,
pão curto agora nestes reinos salgados,
se parar não sei se não caio logo ali redonda no chão frio
como se caísse fundo em mim mesma,
a mão dentro do pão para comê-lo
- disse ela.

Boa semana, meus amigos.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Tumblr

Coisas lindas do mundo dos tumblrs. Só clicar aqui para ver o meu.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

The lover´s dictionary


Não adianta, uma capa linda de livro vai te chamar a atenção. Seja lá o que for. 

Este eu comprei domingo. Vi a capa, entendi que o autor vai construindo a história de um relacionamento com palavras em ordem alfabética. Não é uma palavra por letra, mas várias por letra até chegar em yearning, yell, yesterday e zenith. Vi as frases curtas e me apaixonei.  Li e é uma coisa muito bacana mesmo. Esta arte de escrever de forma simples me faz cair de amores na hora. 

E uma das palavras com "u" é ubiquitous (que quer dizer algo como "onipresente"):

"When it´s going well, the fact of it is everywhere. It´s there in the song that shuffles into your ears. It´s there in the book you´re reading. It´s there on the shelves of the store as you reach for a towel and forget about the towel. It´s there as you open the door. As you stare off on the subway,  it´s what you´re looking at. You wear it on the inside of your hat. It lines your pockets. It´s the temperature.

The hitch, of course, is that when it´s going badly, it´s in all the same places."

E vou dizer uma coisa chata mas que sempre digo - quem não lê em inglês, perde. E quem lê mais ou menos deveria tentar ler este livro. Vai conseguir.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Wild


A Oprah fala e eu obedeço. Amo tudo dela (o programa que morro de saudade, a revista, etc.). Inclusive o Book Club e acho que todos os livros indicados têm um porquê, são bacanas e tudo mais. Clique aqui para ver mais informações de lá. 

Aí na semana passada estava na Cultura é vi "Wild - from lost to found on the Pacific Crest Trail." Eu geralmente não gosto de livros que contam essas histórias de pessoas que vão fazer caminhadas/trilhas/passar meses em um barco por causa de uma tristeza ou tragédia. Mas já que Oprah falou, eu obedeci. E estou amando. A autora fala diversas vezes o que carrega na mochila, o que se leva, o que se deixa, e quando ela foi falar de seus livros, ela disse o seguinte:

"It hurt to do it, but it had to be done. I´d loved books in my regular, pre-Pacific Crest Trail life, but on the trail, they´d taken on even greater meaning. They were the worlds I could lose myself in when the one I was actually in became too lonely or harsh or difficult to bear."


Lindo. 

A autora é Cheryl Strayed e já há entrevistas dela com a Oprah no site, mas ainda não quero dar rosto para a pessoa que estou lendo. Nem voz.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O Captain My Captain

Sempre fico muito feliz quando um (ex) aluno lê, ouve, vê Whitman e lembra de mim. E do vídeo do aluno  descobri no YouTube só a letra do poema com alguém declamando. Tão lindo, tão lindo. Vejam só:

É só clicar aqui.

Obrigada, Fabiano! Um beijo, meu querido.

domingo, 23 de setembro de 2012

Fofura

Achei esta imagem em um dos tumblrs que sigo. Fofura total. Coisas de domingo, amigos.

O nosso (tumblr) é este lindo aqui: http://bkidiomas.tumblr.com/

sábado, 15 de setembro de 2012

Conselho

Este é de Francis Bacon e eu li no livro do Harold Bloom: Como e Por que ler. Livro que amo. Principalmente quando ele fala que temos que ler Whitman (coraçõezinhos) para entender o desenvolvimento da sociedade americana. Mas enfim, o conselho é este:

"Não leia com o intuito de contradizer ou refutar, nem para acreditar ou concordar, tampouco para ter o que conversar, mas para refletir e avaliar."

Simples assim.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

No happy endings

Vi a ilustração abaixo em um dos milhares de blogs/tumblrs que leio sobre literatura/livros/livrarias/bibliotecas e afins. E me dei conta que é exatamente isso. Quantas vezes li um livro e achei que de jeito nenhum deveria haver um final feliz. E quando o final feliz acontece quando eu não espero eu sempre me pergunto: será que é só pro leitor ficar feliz? O leitor não quer, necessariamente, ficar feliz, ele quer ler algo incrível. Sempre. 

It´s ALWAYS about the story. Não acham?


domingo, 11 de dezembro de 2011

Novo livro!





Olha o que eu achei em Buenos Aires. Não é demais?

E algumas poesias do Leminski em espanhol ficam tãããão legais... logo mais coloco.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O essencial da década de 1980



Consegui este livro depois de sei lá quanto tempo. Já tenho o da década de 1970 e da 1990 e este foi tão difícil encontrar... sei lá. E andando hoje calmamente pela Livraria da Vila, achei. Feliz!!

E um trecho de Adélia Prado que Caio coloca no início do livro:

"a vida é tão bonita,
basta um beijo
e a delicada engrenagem movimenta-se,
uma necessidade cósmica nos protege."

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Surprise surprise!



Começando o mês com uma surpresinha fofa. Estava eu ontem andando na livraria e vejo "Religião para ateus" do Alain de Botton. No dia anterior tinha visto no site que a previsão para o lançamento do livro (em inglês) era março de 2012. Oi? Fui lá falar com o vendedor e ele viu a mesma coisa e achou estranho da mesma maneira. Cada coisa, não?

Além disso, o livro em português custa R$ 16,00 (Oi? x2).

Desnecessário dizer que já estou lendo e curtindo. Um trechinho da página 26:

"Por mais isolados que tenhamos nos tornado, evidentemente não abandonamos toda a esperança de construir relações. Nos solitários cânions da cidade moderna, não existe emoção mais estimada que o amor. Entretanto, não se trata do amor sobre o qual a religião fala, tampouco a expansiva e universal irmandade da humanidade, é uma variedade mais ciumenta, restrita e, no fim, mais mesquinha. É um amor romântico, que nos põe em uma busca maníaca de uma única pessoa com quem esperamos conquistar uma comunhão completa e para toda a vida, uma pessoa em particular que nos dispensará de qualquer necessidade por gente em geral."

Que lindo, minha gente.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mais "By nightfall"

Sem dúvida uma das melhores coisas que li este ano. Tem que ler em inglês. Mas tenho curiosidade em saber se no português a coisa é tão linda assim. Se alguém souber, avisa.

"And so, Peter had imagined he could be swept off, could ruin the lives of others (not to mention his own) and yet retain some aspect of blamelessness because passion trumps everything, no matter how deluded, no matter how doomed. History favors the tragic lovers, the Gatsbys and the Anna K.s, it forgives them even as it grinds them down. But Peter, a small figure on an undistinguished corner of Manhattan, will have to forgive himself, he´ll have to grind himself down because it seems no one is going to do it for him. There are no gold-leaf stars painted on lapis over his head, just the gray of an unseasonably cool April afternoon. No one would do him in bronze. He, like all the multitudes who are not remembered, is waiting politely for a train that in all likelihood is never going to come."

Página 221.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Leitura

Norah Ephron, escritora e roteirista americana, escreve o seguinte sobre leitura:

"Reading is escape, and the opposite of escape; it´s a way to make contact with reality after a day of making things up, and it´s a way of making contact with someone else´s imagination after a day that´s all too real. Reading is grist. Reading is bliss."

Lindo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Novo Leminski


Estava eu andando pela Livraria Cultura toda lépida e faceira quando encontro este livro. Ensaios do Leminski, agora pela Editora Unicamp. Felicidade.