terça-feira, 28 de outubro de 2014

Um remédio que dá alegria

Trecho inicial da crônica publicada em O Estado de São Paulo - 24 de junho de 1986.

"Semana passada, falei assim: 'Deus é bom demais! Além de João Gilberto, manda Caetano junto!' Até ponto de exclamação usei - coisa que, por sobriedade congênita, não costumo. Esses dias todos, fiquei meio babaca. Fiquei, não: geralmente sou mesmo meio babaca. Porque, mais que em 'Deus' (e as aspas aqui são para que não me imaginem, injustamente, indo à missa ou rezando terços), acredito é na gota de mel que essa coisa-deus-destino-orixá vezenquando derrama sobre nossa cabeça. Bem verdade que acontece de ele derramar a gota e enquanto você, todo melado, espera por mais - ele retira subitamente o pote. Ou, sacanamente, substitui o pote de mel pelo de sal. Volta, então, a secura nossa de cada dia. Como volta o mel, para quem tiver paciência de esperar sem desfraldar a bandeira escandalosa da espera. Que afasta o mel."


2 comentários:

fal disse...

Que coisa LINDA.

Elaine Cuencas disse...

Mel na vida...