terça-feira, 15 de março de 2016

Amós Oz

Trecho da palestra "Entre o certo e o certo" de 2002:

"Quando cunhei a expressão 'Faça a paz, não amor', eu não estava, é óbvio, pregando contra o amor. Mas sim, em certa medida, tentando acabar com a confusão amplamente difundida entre paz e amor e fraternidade e compaixão e perdão e concessão e assim por diante, que faz as pessoas pensarem que se elas apenas largassem suas armas, o mundo no mesmo instante se tornaria um lugar maravilhoso, adorável. Pessoalmente, acredito que o amor é um artigo raro. Creio que um ser humano, pelo menos segundo minha experiência, pode amar dez pessoas. Se for muito generoso poderá amar vinte pessoas. Um ser humano sortudo, muito felizardo pode até mesmo ser amado por dez pessoas. Se for extraordinariamente sortudo, pode ser amado por vinte pessoas. Se alguém me disser que ama a América Latina, ou que ama o Terceiro Mundo, ou que ama a humanidade, isso é muito vago para ser significativo. Como lamentava uma canção popular muitos anos atrás, 'Não há amor suficiente no mundo'. Não creio que o amor seja a virtude com a qual serão resolvidos os problemas internacionais. Precisamos de outras virtudes. Carecemos de senso de justiça, mas também de senso comum, necessitamos de imaginação, de uma profunda habilidade de imaginar o outro, às vezes nos pondo no lugar dele."


Obs - acho que o livro tem alguns problemas de tradução. Mas vale. 

Um comentário:

Elaine Cuencas disse...

Tão fundamental ler um texto como esse... uma tragédia que tão poucos leiam. Pior ainda, que os que podem, desdenham... ou os que deveriam, ignoram por preguiça. Tempos com cara de tragédia...