terça-feira, 18 de novembro de 2008

Caio F.



Do conto "Iniciação" do livro "O ovo apunhalado".

"Foi numa dessas manhãs sem sol que percebi o quanto já estava dentro do que não suspeitava. E a tal ponto que tive a certeza súbita que não conseguiria mais sair. Não sabia até que ponto isso seria bom ou mau - mas de qualquer forma não conseguia definir o que se fez quando comecei a perceber as lembranças espatifadas pelo quarto. Não que houvesse fotografias ou qualquer coisa de muito concreto - certamente havia o concreto de algumas roupas, uma escova de dentes, alguns discos, um livro: miudezas se amontoavam pelos cantos. Mas o que marcava e pesava era o intangível.


O que conta, o que marca e o que pesa, é o que a gente não consegue encostar com a mão, não é mesmo?



Obs - a foto é do site www.clicrbs.com.br

domingo, 16 de novembro de 2008

Sem criatividade


Escrevi praticamente dois posts inteiros e apaguei tudo. Sei lá. O livro mais lindo (comprado essa semana na Feira do Livro da Usp) é este acima do texto.

Sem mais para o momento.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sylvia Plath


Sylvia Plath escreveu no seu diário em julho de 1950:

"Some things are hard to write about. After something happens to you, you go to write it down, and either you overdramatize it or underplay it, exaggerate the wrong parts or ignore the important ones. At any rate, you never write it quite the way you want to".

Concordo.......ela tinha 18 anos quando escreveu isso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Leminski para Elaine


Eu não ia postar nada, mas aí fui ver um vídeo no YouTube que a Elaine mandou. E como ela já me conhece, foi perfeito para o dia de hoje.

Enfim querida amiga, este hai kai do Leminski é para você (e tenho certeza que você entenderá a mensagem):


pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando



(eu ainda complementaria - já estamos conseguindo avistar no horizonte o "quando").

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mais Maya e hope


Sei lá, podem me chamar de qualquer coisa, mas estou super "cliché" (é assim que escreve??) mesmo - aquela coisa toda "numa onda de esperança". E como falei da Maya Angelou no post anterior, aqui vai a terceira estrofe do poema "Still I rise":

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I'll rise.
Eu traduziria assim:

Assim como as luas e os sóis,
Com a certeza das marés,
Assim como as esperanças saltando alto,
Eu ainda me levanto.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Maya Angelou (1928- )


Por razões óbvias é dela que quero falar no dia de hoje. Escritora, educadora, produtora, ativista pró-movimentos de direitos civis e muito mais.

"Still I rise" é um dos poemas que mais me emociona. E nestes últimos dias com Obama ainda mais.

Mas depois volto aqui e conto.

domingo, 2 de novembro de 2008

Mais Clarice



"É curiosa esta experiência de escrever mais leve e para muitos, eu que escrevia 'minhas coisas' para poucos. Está sendo agradável a sensação. Aliás, tenho me convivido muito ultimamente e descobri com surpresa que sou suportável, às vezes até agradável de ser.

Bem. Nem sempre."

Clarice Lispector. 15 de janeiro de 1972. "A descoberta do mundo".


foto do site oglobo.globo.com