
Há vários anos fui com um grande amigo assistir a peça "Um porto para Elizabeth Bishop". Era um monólogo com a Regina Braga. Na ocasião não tinha idéia quem era ela e só lá que entendi que era uma autora americana que viveu no Brasil durante anos com a companheira. O que me marcou da peça foi exatamente o texto da autora - Marta Góes.
Falo sempre de Elizabeth Bishop nas minhas aulas e em algum outro post mais pra frente falarei com mais detalhes sobre sua poesia.
Em 2005 achei o livro sobre a peça na Livraria Cultura e o trecho que mais me recordo (e que agora leio no livro, é claro) é a parte final, anos depois da morte da companheira, que Elizabeth (por meio da Marta Góes) fala o seguinte:
"Faz dez anos outro dia. É claro que em dez anos a dor que você guardava na primeira prateleira e pulava no seu peito toda manhã vai se acomodando numa prateleira mais alta, e depois numa mais alta ainda, e depois, num canto que você não alcança todo dia. Mas você sabe que ela está lá, guardada para sempre, junto de muitas coisas que fazem parte da sua vida."
Não é uma ótima definição para uma série de coisas?
Obs - a foto é do site www.poets.org